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Over the hills and far away, May 15th, 2004.
Vício. Nas palavras de Machado de Assis, é
o estrume que não impede que a flor da virtude
floresça cheirosa e sã. Nas minhas palavras,
é o estrume do qual atolo meu vaso (de flores,
caro casual leitor. vaso de flores), talvez esquecendo
de um mísero detalhe: a semente, talvez.
Meu vício não é de bebidas alcoólicas,
cigarro ou drogas - os lugares-comuns que são o
destino dos nossos pensamentos quando falamos em "vício".
O meu vezo é pela - sim, acredite - pela dor. Não
digo a dor física - odeio ter uma farpa que seja
em meu dedo. Me refiro à dor da alma, onde enfio
estacas de aço constantemente, para meu - ouso
dizer - deleite.
Cada vez que penso sobre minhas frustrações,
busco o papel e caneta mais próximos para anotá-las
e dar ênfase a uma dor que talvez nem devesse existir.
Sei muito bem que lágrimas não são
o antídoto contra o veneno de uma existência
vazia, assim como sei que palavras lúgubres não
trarão o bálsamo ao meu pesar. Mas a escrita
é minha única fuga, meus pseudo-poemas são
a fumaça negra que intoxica e anestesia minha alma.
Pseudo-poemas, é bom frisar: são
para serem escritos, não para serem lidos. Álvarez
de Azevedo sofreria um ataque do coração
no inferno se eu chamasse minhas linhas de "poemas".
Eis o por quê do "pseudo".
Explicações à parte, presto meu
depoimento: tudo começou com alguns simples "I-hate-myself-and-I-wanna-die"
em meu "drear diary" - lá pelos
idos de 2000. Logo se tornou uma obsessão, reviver
momentos desagradáveis para sentir a dor em dobro.
Nunca fui uma apreciadora de poemas - na verdade, tinha
pouca paciência para eles e sua linguagem enigmática.
Até conhecer Augusto dos Anjos e, posteriormente,
Tuomas Holopainen.
Não há explicação cabível.
Quando eu começo a encontrar alguma luz, assopro-a
com toda força na insana esperança de que
a chama se apague - com sucesso, para minha infelicidade.
Pode chamar de burrice, se quiser. Dar voltas e
voltas sem sair do lugar, tal qual aquela mosca inoportuna
que fica zunindo e tentando sair pela janela fechada:
vai em direção a ela, bate no vidro, vai
de novo, bate de novo, vai de novo, bate de novo... Sempre
com a mordaz esperança de encontrar a liberdade,
agindo sem pensar. Eu sou a tal mosca estúpida
e tenho total ciência de que o vidro está
lá. E acho que gosto de bater contra ele, sem conseguir
chegar ao outro lado. Finjo que quero sair - mas não
quero.
Eis o vício pela dor. Se você não
conhecia: olá, muito desprazer! Eis o verme da
auto-piedade que aos poucos decompõe a alma. Quero
libertar-me dele, eu juro! E fá-lo-ei agora! Com
licença, ali está a saída e eu preciso
ir em direção a ela! ... *POFT!*
[ouvindo: follow in the cry - after
forever]
Over the hills and far away, May 8th, 2004.
Sabe... Sei lá.
É exatamente o que sinto agora: sei lá.
Apenas e tudo isso. É um momento em que eu começo
a refletir, a ver que as coisas não são
como eu queria que fossem e a me odiar por isso. Incompetência
perante a vida, esse jogo macabro. Quem são os
perdedores do jogo? Aqueles que não têm as
cartas nas mangas. Ser honesto não parece ser um
bom negócio no mundo. É deprimente ver como
a humanidade parece ser composta por soldados individuais,
lutando uns contra os outros, preparando armadilhas e
bombardeando território alheio com palavras envenenadas
ou atos maldosos.
Homo sapiens muitas vezes não gastam seus
segundos preciosos em benefício próprio,
preferem empregá-los tentando prejudicar outrém.
É muito comum ver ofensas desferidas com tanta
brutalidade apenas com a intenção de ver
a vítima sucumbir a elas. Um prazer mórbido
em ver a desgraça do outro - seja ela física
ou emocional. Se não fosse assim, programas como
Cidade Alerta não estariam mais no ar.
Esse é um dos motivos que me levam a me sentir
tão... sei lá. Saber a hipocrisia por trás
desses sorrisos amarelos que te metralham quando você
vira as costas. Saber que eu estou meio velha para ter
essas crises bobinhas. Saber que eu estou meio velha para
ser tão bobinha. Velha, sim. Seventeen.
O tempo passa tão rápido. E eu estou numa
luta constante contra o relógio. Abandonar o berço
seguro e aconchegante que é a infância, sem
preocupações, sem deveres, sem dúvidas,
sem filosofias...
"Memories go back to childhood, to days I still
recall. Oh, how happy I was then. There was no sorrow,
there was no pain. Walking through the green fields, sunshine
in my eyes." - Forever - Stratovarius
De que me vale saber que estou no meio de um campo minado
- um passo em falso e tudo vai pelos ares? De que me vale
saber que estou em um ninho de víboras que sorriem
enquanto preparam o bote? Só me deixa mais agoniada,
em minha tolice de creditar confiança a quem não
devia e ser surpreendida por um ataque surpresa. Ou, por
outro lado, desconfiar de quem mereceria minha confiança.
Ignorância é felicidade.
[ouvindo: sensorium - epica]
Over the hills and far away, April 20th, 2004.
Que coisa ridícula. Eu odeio ter sentimentos.
Não, isso não é uma declaração
melodramática do fato de eu odiar ser uma pessoa
mais sentimental do que a maioria. Todos têm sentimentos,
uns são mais sensíveis, outros menos. Mas
uma coisa é fato: sentimento é uma maldição
lançada sobre os homo sapiens.
Alguns podem achar que é uma bênção,
mas eu não vejo assim. Pra mim, sentimentos são
as "cordinhas" das marionetes feitas
de carne e sangue. Somos guiados, escravizados por eles.
Qualquer liberdade é relativa, estamos condicionados
a seguir o caminho que nossos sentimentos nos levam, por
chibatadas.
Sabemos que, quando uma pessoa está com suas emoções
alteradas, não se pode prever suas atitudes. A
pessoa mais pacífica pode fazer coisas terríveis
quando está zangada. A pessoa mais terrível
pode ser um poço de bondade para alguém
que tenha consideração. E aquele período
no calendário da maioria das homo sapiens
do gênero feminino, quando qualquer coisa é
motivo para lágrimas ou para gritos irados? Você
não tem uma personalidade definida, está
sujeito sempre a alterações que variam de
acordo com suas emoções.
Mudanças. Odeio. Eu queria ser a pessoa fria e
insensível que sempre fingi ser. 100% racional,
0% emocional. Problemas? Jogue tudo na fórmula
de Pitágoras, multiplique o cateto oposto pelo
cateto adjacente, divida por dois e pronto. Tudo resolvido.
Malditas emoções, que tornam as coisas tão
mais complicadas do que poderiam ser, guiando suas marionetes
humanas por caminhos errados e ilógicos.
God, I must confess... I do envy the robots.
[ouvindo: the pharaoh sails to orion
- nightwish]
By the way: Agradeço de coração
e com todo o sentimento positivo possível aos gentis
comentários que vocês deixaram. Fiquei muito
feliz ao lê-los, muito obrigada. :)
Over the hills and far away, April 19th, 2004.
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A PRIORI [the day before]
Seventeen falls since my first cry
Through cold winters which froze my tears
And hard springs when the thorns bloomed
I've been waiting for summer to warm
[ my core
A gift or a curse for my soul
Congratulations for not dying yet
The trace of blood behind your path
It wrote on the floor your seventeen falls
Close my eyes and whisper a wish
Oh please aid my dying soul
Make me drink elixir of hope
Kill the monsters who haunt my core
So now I raise my head
Look all around, no one can be seem
In darkness I celebrate my woe
And make a promise for me
The best or the last it will be
This day of autumn, this year
I'll look ahead and open my eyes
So I will can read the poem of life
For now I stare the sky
Still wondering when will I die
Look for the candles on cake of fears
Make a wish and light them off with my tears
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A POSTERIORI [the day after]
The flame lit in my candle
Now with stars I can handle
The moon that gazed my tears
Will now bless all of my creeds
The eclipse just uncovered the sun
Now it smiles and melts the gloom
This warmth will make steam
of the ocean of woe where I've been
I can jump so high
I can catch a star
I can scream so loud
I can call for Mars
I can dance so hard
I can quake the earth
I can shine so bright
I can spread my mirth
The path again forks into two
And now I'll take the right one
Make my way to the moon
Erase from the cosmos the gloom
Summer breeze dries my tears
Shining sun blinds my fears
Seagulls announce over the ocean
The rebirth of the once-fainted one
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...
Pathetics.
[ouvindo: forever yours - nightwish]
Over the hills and far away, April 12th, 2004.
Acabei de assistir o DVD do Nightwish. Sim, eu sou uma
tremenda mão-de-vaca, então gastar 50 reais
em um DVD foi uma loucura e tanto para mim. Se o tal DVD
correspondeu às minhas expectativas? Respondo:
não.
...ele superou-as! É incrível! Perfeito!
Se até pouco tempo atrás minha banda favorita
era Sonata Arctica, agora passa a ser Nightwish. Ouvir
o líder da banda, Tuomas Holopainen, contando a
história do Nightwish e falando sobre suas composições
me deixou fascinada. Vontade de pegar o primeiro vôo
pra Finlândia e seqüestrar esse cara. Ou então
ir ao próximo show com um daqueles laços
de cowboy para laçá-lo do palco.
Fãs do Nightwish, me odeiem pela tietagem ao Tuomas.
Mas eu adorei o que ele falou, every and single word,
e em alguns momentos me identifiquei com relação
aos sentimentos dele: o de nunca fazer nada que seja bom
o suficiente, de ser uma pessoa que se reprime emocionalmente,
nunca estar satisfeito, um sentimento de vazio na alma,
sentir que está faltando algo... Não estou
querendo me comparar a ele, quem sou eu para isso, mas
permita-me uma pequena analogia:
Obviamente, o Nightwish foi um grande marco na vida de
Tuomas, assim como meu blog Mione
Kicks Asses foi na minha (em menores proporções,
de fato). Pode parecer besteira, mas começar a
receber tantos comentários e links foi algo que
eu não esperava e me deixou bastante feliz. Porém
isso também me deixou com um pouco de receio. Eu
sentia uma certa responsabilidade com o Mione Kicks Asses:
mesmo que os elogios fossem hipócritas, eu sentia
que os leitores estavam exigindo qualidade. Eu queria
dar essa "qualidade", mas ela estava além
do meu poder. Por isso tantas vezes tive vontada de dar
um fim no Mione Kicks Asses.
O Tuomas conta que também teve vontade de acabar
com o Nightwish em 2001. Chegou a ligar pra gravadora
e dizer que a banda estava acabada. Felizmente, ele voltou
atrás e percebeu que não pode viver sem
fazer música. A mesma paixão que eu tenho
por escrever essas besteiras que as pessoas não
têm paciência para ler. Essa confusão
de sentimentos que me fez "assassinar"
meu blog, para fazê-lo "reencarnar"
novamente na semana seguinte.
Eu não consigo parar de escrever, eu amo fazer
isso. Este texto, eu escrevo com a consciência de
não haver "platéia" para
ele, o que me deixa bastante chateada. No fundo, a garotinha
tímida das "madeixas azuis" só
quer chamar a atenção. Totalmente egocêntrica.
Eu odeio que as pessoas reparem em mim e me julguem, mas
também odeio uma platéia vazia. Contraditório,
como tudo na minha vida. Quando me apelidei de "Mionissa
Freek" eu não estava brincando.
Voltando ao DVD, foi divino. Me fez rir e quase chorar
(sim, quase. sou metida à durona e segurei
as lágrimas, assim como quando vi Titanic :P).
E quando terminou, fiquei sentindo o coração
apertado. Um sentimento estranho, que eu tenho sempre
que acabo de ver um bom filme ou de ler um bom livro.
Eu queria mais. Queria que não acabasse ali. Assisti
o documentário aos pouquinhos, porque eu sabia
que uma hora ia acabar, e eu não queria isso.
Nightwish é mais que uma banda. Muito mais.
[ouvindo: phantom of the opera
- nightwish] -
Over the hills and far away, April 11th, 2004.
Saudações. Este é mais um dos inúmeros
blogs que costumo metralhar web afora. Geralmente são
abandonados, mas o fato é que eu tenho um vício
em juntar letrinhas formando palavras de forma tão
desordenada e confusa, mas ainda não consegui o
que eu queria. Os blogs que criei seguiam "fórmulas"
e padrões diferentes, mas nenhum conseguiu realmente
me satisfazer... ainda.
Com excessão do Mione Kicks Asses. Começou
timidamente: raramente eu recebia um comentário
decente e ficava na base do "oi, gostei do seu
blog, visita o meu?". Em alguns meses o MKA atingiu
um ponto que me surpreendeu. Cheguei a receber comentários
melhores do que os posts em si. E não sei se isso
é bom, pois me fez ver que o referido blog deveria
ser melhor. Sinceramente: eu não ligava.
Porém agora os posts não fluem mais como
antigamente: estão bem forçados, eu reconheço.
Antes as coisas eram mais naturais. Não sei se
fui eu que "amadureci" (mesmo que seja um pouquinhozinho
assim [ou menos], pois eu continuo uma criançona
como sempre). Mas isso me levou a criar este outro blog,
que será mais eu, apesar de não abandonar
o antigo.
No Ad Infinitum, ao contrário desse outro
blog meu que alguns consideram "pop", pretendo
colocar mais sentimento e mais coerência ao invés
de juntar um monte de merda com um monte de palavrão
e clicar no botão "publicar". Pretendo
colocar minhas opiniões sobre algumas coisas, sobre
fatos e devaneios do meu dia-a-dia, enfim, este supostamente
deverá ser um blog pessoal ao quadrado, como diria
ela.
Não sei se será lido, mas isso agora pouco
me importa. Não sei se vou colocar uma caixa de
comentários sob cada post, não que eu ache
irrelevante o feedback de eventuais leitores, mas
porque eu realmente não sei se terei algum "eventual
leitor". Mas quer saber? Que se dane.
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